BA| Uso de IA para “reviver” ACM em evento político gera críticas e desconforto na Bahia

Compartilhe:

A exibição de uma versão digital de Antônio Carlos Magalhães, falecido em 2007, durante um evento político de ACM Neto em Porto Seguro, provocou forte repercussão negativa e abriu um debate delicado sobre limites éticos, simbólicos e até espirituais no uso da inteligência artificial.

Durante o encontro que confirmou a pré-candidatura de ACM Neto ao governo da Bahia em 2026, um telão exibiu uma imagem criada por IA do ex-governador baiano, que “discursou” em apoio ao neto, desejando sucesso político e evocando sua própria trajetória como líder do Estado. A tentativa de emocionar o público, no entanto, não soou bem para parte significativa da opinião pública.

Nas redes sociais e nos bastidores da política, as críticas foram imediatas. Para muitos, a iniciativa ultrapassou o campo da homenagem e entrou em um território considerado inadequado, misturando tecnologia, memória e exploração simbólica de um morto em um contexto eleitoral. Houve quem classificasse a ação como apelativa e desrespeitosa, ressaltando que, na tradição cultural e espiritual de grande parte da população, aos mortos cabe o descanso eterno, não a instrumentalização política.

O desconforto foi além da estética ou da inovação tecnológica. Lideranças religiosas, eleitores e analistas apontaram que “reviver” figuras falecidas para pedir votos ou legitimar candidaturas pode abrir um precedente perigoso, banalizando o luto, a memória histórica e até a própria noção de consentimento — afinal, o personagem retratado não pode concordar nem discordar do uso de sua imagem.

Derrotado na eleição de 2022, quando era apontado como favorito, ACM Neto confirmou no evento que tentará novamente o cargo em 2026. A presença virtual do avô, que foi um dos políticos mais influentes e controversos da história baiana, acabou desviando o foco do projeto político e reacendendo debates sobre heranças de poder, personalismo e os limites da inovação na política.

O encontro contou com a presença de diversas lideranças, como o prefeito de Salvador, Bruno Reis, o prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, além de dirigentes do PL, incluindo Valdemar Costa Neto, que chegou a antecipar cenários para a disputa presidencial de 2026. Ainda assim, o episódio da inteligência artificial dominou a repercussão do evento.

O caso expõe um dilema contemporâneo: até onde a tecnologia pode ir quando se trata da memória dos mortos? Para muitos baianos, a resposta veio acompanhada de um alerta claro — nem tudo o que é possível deve ser feito, especialmente quando política, emoção e espiritualidade se cruzam.

Outras Notícias

Domínio Global Consultoria Web